domingo, 20 de fevereiro de 2011

Apelo mudo



 Que chato! Não ser desejado por você.
Mãe! Com que direito você quer se livrar de mim!!!
Poxa! Eu não pedi pra vim ao mundo; tão pouco tenho direito de pedir pra ficar.
 Porém eu peço... Num apelo mudo, eu peço: Mãe me deixe ficar? Eu te prometo que serei bom e dentro de pouco tempo sairei, então duvido que queiras te livrar de mim novamente.
Mãe! Estou te pedindo vida! A vida que agora está em tuas mãos; em tuas mãos não! Em teu ventre, meu pequeno mundo...
Mãe,é impossível que não tenhas vontade de me abraçar, me apertar em teus braços dizendo: “Meu filho”! Impossível mãe, já que estou louco de vontade de abraçar-te ouvir teu canto a me ninar, teu calor a me agasalhar. Ah! Mãe será uma pena que não nos conhecermos verdadeiramente. Quero tanto colocar minhas mãos em teu rosto e chamar-te de mamãe!
Mãe! Estou crescido, já posso sentir meu coração bater, e já estou amando.
Mãe! Como eu gostaria de fazer você entender.Como eu gostaria de evitar que você fizesse o que pretendes, não só por mim, mas por você também.
É pena que não possas ouvir meu “apelo mudo” que te faço aqui, é pena que não posso ter direito a liberdade... não passarei de um simples feto.
Mãe, infelizmente pessoas e crenças cegam cada vez mas a sua visão...
Mãe! É tua a decisão; se esta for, a de se livrares de mim, desde já te perdôo...
Te perdôo porque te amo. Mas, se a tua decisão for a de me deixar nascer, eu vou te  provar que  nenhum amor do mundo é maior que um amor de filho.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Instantes de um personagem


Se eu pudesse viver novamente na minha próxima vida trataria de cometer mais erros, não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido, na verdade bem poucas coisas levaria a sério, seria menos higiênico, correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios, iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvetes e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveram sensata e produtivamente cada minuto na minha vida.
Claro que tive momentos de alegrias, mas se pudesse voltar a viver trataria de ter somente bons momentos porque a vida é feita só de momentos, não perca o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda chuva e um pára-quedas.
Se voltasse a viver começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono. 
Daria mais volta na minha rua, contemplaria mais  amanheceres e brincaria com mais crianças se estivesse outra vez uma vida pela frente.